domingo, 30 de agosto de 2009

Ninguém disse que os dias eram nossos
Ninguém prometeu nada
Fui eu que julguei que podia arrancar sempre
mais uma madrugada

Ninguém disse que o riso nos pertence
Ninguém prometeu nada
Fui eu que julguei que podia arrancar sempre
mais uma gargalhada

E deixar-me devorar pelos sentidos
E rasgar-me do mais fundo que há em mim
Emaranhar-me no mundo
e morrer por ser preciso
Nunca por chegar ao fim

domingo, 23 de agosto de 2009

falta..
os berros altos da mana a chamar "Vânia Filipa"
e o mano " para casa.."


falta..
as queixinhas a mae, de que estava sempre no meio de rapazes a jogar a bola, a subir os muros altos..
a porrada de travesseiros, a ver quem caia abaixo da cama..
"OH MAAAEEE"
a corrida para o telecomando para ver quem liga primeiro a TV
a "porrada" e a choradeira porque nenhum me deixava fazer o k queria
os banhos na bacia
a chegada do papa
as mentirinhas mana ir namorar
as voltas de bicicleta ao fim de arrumar a cozinha
os segredos
o peditório de doces para os manos:)


falta..
os segredos e confidências entre manas..
o picar uma a outra, entre nomes, beliscões, cocegas..
as saídas..
passar a noite no carro dentro de uma garagem
dançar
rir
brincar
chorar


falta..
quem me deixou para traz e nunca me compreendera










falta tanta coisa........

quinta-feira, 13 de agosto de 2009

Olhando para o jardim alheio

«Dai ao tolo mil inteligências, e ele não quererá senão a tua»

Começamos a plantar o jardim da nossa vida e - quando olhamos para o lado - reparamos que o vizinho está ali, a espreitar. Ele é incapaz de fazer alguma coisa, mas gosta de dar palpites sobre como semeamos as nossas acções, plantamos os nossos pensamentos, regamos as nossas conquistas.

Se prestarmos atenção ao que ele está a dizer, acabamos a trabalhar para ele, e o jardim da nossa vida será ideia do vizinho. Acabaremos por esquecer a terra cultivada com tanto suor, fertilizada por tantas bênçãos. Esqueceremos que cada centímetro de terra tem os seus mistérios, que só a mão paciente do jardineiro é capaz de decifrar. Já não prestamos atenção ao sol, à chuva e às estações - para ficarmos apenas concentrados naquela cabeça que nos espreita por cima da cerca.

O tolo que adora dar palpites sobre o nosso jardim nunca cuida das suas plantas.
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É tão difícil não prestar atenção......